quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OS BUTEQUEIROS DE PORTO ALEGRE

Com grata surpresa, encontrei entre meus amigos do facebook, um grupo que está fazendo de uma forma muito bacana, a sua parte para a segurança no trânsito.

OS BUTEQUEIROS DE PORTO ALEGRE começaram há cinco anos atrás, através de outra rede social, o Orkut. De lá pra cá, foram crescendo não só no  número de participantes, mas principalmente os objetivos, que se ampliaram para causas tão importantes!

Este grupo desenvolveu uma campanha chamada "Se beber, não dirija!". Tem como meta, distanciar a pessoa que bebeu, do volante.

Segundo seu mentor e detentor da marca do grupo, Aléxis Cardoso, além da perigosa mistura que se faz entre a bebida e a direção, o grupo refuta a idéia de que é necessário beber para para rolar a festa:

-Sempre colocamos a ideia de que fazer festa, ser feliz é mais que possível...é muito fácil. Não precisa beber para ser feliz. Esse é o nosso objetivo, afirma Leko, como Aléxis é conhecido.

Me lembro que em sala de aula, quando abordávamos o assunto, a grande polêmica era daqueles que questionavam: Como ir para a balada, e não beber?

Hoje estamos acompanhando grupo de "Butequeiros" pregando abstemia, se for o caso, para evitar acidentes. Há algumas postagens anteriores, publiquei um vídeo produzido por "Butequeiros" do centro do país, que colocaram um ator simulando estar embriagado, se oferecendo como manobrista na saída dos bares. Todos os abordados, eram pessoas que não sabiam da filmagem. Ao final do vídeo, depois que ninguém permitiu que o personagem dirigisse, recebiam uma mensagem que ficava para reflexão: NUNCA DEIXE UM MOTORISTA ALCOOLIZADO DIRIGIR SEU CARRO. MESMO QUE ESSE MOTORISTA SEJA VOCÊ.

OS BUTEQUEIROS DE PORTO ALEGRE estarão realizando uma ação. - E agora com um aporte financeiro de um investidor, vamos começar a colocar nas ruas nossa campanha, diz Leko empolgado, que convida:

DIA 13
panfletagem na CIDADE BAIXA ( República e Lima e Silva) e PADRE CHAGAS.
Serão 2.500 panfletos distribuídos por uma equipe uniformizada de pessoas informando que BEBIDA E DIREÇÃO NÃO COMBINAM.
O horário será entre 20:30 as 23:00

Aqueles que puderem e quiserem, vale a pena prestigiar atos como este e, segundo o próprio Leko, o voluntariado é sempre bem vindo. Abaixo o material que será distribuído.

Parabéns aos BUTEQUEIROS DE PORTO ALEGRE!

Até a próxima!














terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pateta no Trânsito

Costumava passar este vídeo em sala de aula. Gostava de olhar as reações dos alunos, principalmente daqueles que estavam realizando reciclagem ou renovação. Por ser um desenho animado, muitas risadas, brincadeiras e por fim, impaciência, apesar da curta duração.
Depois abríamos debate e, muitos reconheciam outras pessoas, no lugar do sr. Wheeler. Evidentemente, poucos se identificavam com ele. 
O bacana é que mesmo aqueles que se aborreciam com o filme, pelo espelho que refletia aos seus olhos, ao final da aula pediam para que eu gravasse, na época era passado em vídeo cassete, para que pudessem mostrar aos filhos. Isto me dava esperança que, mesmo não sendo bons condutores, não desejavam passar aquela herança maldita, para suas proles.


Bom filme e, até a próxima!







segunda-feira, 1 de agosto de 2011


Inicia Curso de Educação para o Trânsito

01/08/2011 11:20:23

Foto: Divulgação/PMPA
Aulas serão ministradas Escola Estadual Cel. Afonso Emilio Massot
Aulas serão ministradas Escola Estadual Cel. Afonso Emilio Massot
O Curso de Capacitação para Multiplicadores de Educação para o Trânsito, promovido pela Equipe de Educação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), teve início na manhã desta segunda-feira, 1, na Escola Estadual Cel. Afonso Emilio Massot, no bairro Azenha. Além da participação dos 31 inscritos, o evento contou com a presença do diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, e do vice-governador do RS, Beto Grill.  

"Contamos muito com a participação de todos os segmentos da sociedade para manter a redução da acidentalidade no trânsito. A educação é uma ferramenta fundamental nesse sentido, vamos seguir promovendo ações para conscientizar a população", declarou Vanderlei Cappellari.

O objetivo do Curso de Capacitação para Multiplicadores de Educação para o Trânsito é preparar pessoas para serem multiplicadoras de novos paradigmas no âmbito do trânsito, visando a uma mudança de comportamento na sociedade e, consequentemente, tornando o trânsito mais humano e seguro.

As aulas serão ministradas uma vez por semana na Escola Estadual Cel. Afonso Emilio Massot, das 8h15 às 12h, somando 32h/aula.  No dia 8 de agosto, segunda-feira, iniciará a turma da tarde, com aulas das 13h30 às 17h 30, no auditório da EPTC (rua João Neves da Fontoura, 7).

Violência no trânsito – Segundo a Unesco e o Dematran, cerca de 50 mil pessoas morrem ao ano em nosso país, a maioria jovens com idade entre 16 a 29 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente três mil crianças morrem anualmente e outras cerca de 70 mil são hospitalizadas vítimas de acidentes de trânsito.

Fonte: EPTC


/transito

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Motociclistas são 24% das vítimas no trânsito

Parceria viabiliza capacitação complementar para motociclistas
Detran/RS, EPTC e Sindimoto assinaram, nesta quarta-feira (27), Dia do Motoclista, termo de cooperação para oferecer capacitação complementar aos motociclistas gaúchos. A parceria que viabilizou o Curso de Pilotagem Consciente sobre Duas Rodas foi formalizada em cerimônia no Salão Nobre do Paço dos Açorianos, Prefeitura de Porto Alegre. Na ocasião, também foi assinado decreto regulamentando a profissão de motofrete no município.
Os cursos serão gratuitos e abertos a todos aos motociclistas interessados (profissionais ou não). Inicialmente estão previstas 24 edições, com 25 alunos cada, sendo a primeira turma prevista para setembro. A carga horária teórica é de 5h/aula e a prática de 10h/aula. O objetivo principal é aperfeiçoar as habilidades para condução da moto, exercitando a pilotagem em curvas, frenagens e outras situações de trânsito. O módulo teórico aborda ainda questões como características da moto, inspeção preventiva e seguro DPVAT.
O Sindimoto ministrará o curso, sob a supervisão do Detran/RS, que também produzirá o material didático, e EPTC, responsável pela cedência e sinalização do local para a prática de pilotagem. “Esse é o primeiro curso desse tipo realizado no Brasil. Mais uma vez, Porto Alegre dá o exemplo para o resto do País. Também na regulamentação da profissão somos pioneiros entre as capitais”, anunciou Valter Ferreira, Presidente do Sindimoto, durante a assinatura do Termo.
Vanderlei Capelari, Diretor da EPTC, e o Prefeito José Fortunati frisaram a importância das parcerias para reverter os altos índices de acidentalidade. “Precisamos agir em conjunto e de forma decidida para proporcionar o que a população precisa e exige de nós”, disse o Prefeito.
“Apesar da redução já verificada nos acidentes este ano, o número de vítimas ainda é muito alto. E os motociclistas, pela sua maior vulnerabilidade, são grande parte dos mortos, feridos e incapacitados. Esse curso de qualificação é mais uma ação, desenvolvida com nossos parceiros, para tentar reduzir essas estatísticas.”
Motociclistas são 24% das vítimas no trânsito
Embora o Estado tenha registrado uma redução nas mortes de motociclistas, os números ainda são preocupantes: 148 motociclistas morreram no trânsito nos primeiros cinco meses de 2011. O número é menor do que no mesmo período do ano passado, quando 159 motociclistas perderam a vida em acidentes, mas eles representam 24% do total de vítimas fatais.
Essa estatística é ainda mais representativa, considerando que as motocicletas são 20% da frota do Estado, que é de 4,8 milhões veículos.
A frota de motocicletas cresce mais que a média. De 2004 para cá, o crescimento médio dessa frota foi de 11%, contra 5,4% dos automóveis. Em 2004, eram 498,6 mil motocicletas circulando no Estado. Hoje já são 956 mil. Conduzindo essas motos estão 1,4 milhão de habilitados na categoria A (e combinações).  Em 2004, esse contingente era de 955 mil, um crescimento de 51% no período.
Cerca de 370 mil condutores habilitados na categoria A e combinações (26% do total de habilitados na categoria A) exercem atividade remunerada.  Embora neste caso - combinação de categorias - não se possa dizer com que veículo o condutor trabalha. No entanto, é possível dizer que pelo menos 10 mil trabalhem exclusivamente com a moto.
Publicada em 27/07/2011, às 17h39min
Anexos

quarta-feira, 27 de julho de 2011

27 de Julho - Dia do Motociclista


Prefeitura regulamenta serviço de motofrete na Capital

27/07/2011 17:03:22

Foto: Ivo Gonçalves/PMPA
Fortunati ressaltou que Porto Alegre é 1ª capital a regulamentar a atividade
Fortunati ressaltou que Porto Alegre é 1ª capital a regulamentar a atividade
Para profissionalizar a atividade e tornar o trânsito mais seguro, o prefeito José Fortunati assinou, nesta quarta-feira, 27, o decreto que regulamenta a atividade de motofrete em Porto Alegre. Também foi formalizado o Termo de Cooperação de apoio mútuo entre a EPTC, Detran/RS e Sindimoto, que visa à realização de curso de pilotagem consciente sobre duas rodas. (fotos) (vídeo)

Com a regulamentação do motofrete, o serviço remunerado de transporte de mercadorias com entrega e coleta mediante utilização de motocicletas somente poderá ser realizado mediante a concessão de alvará municipal, concedido pela Secretaria da Produção, Indústria e Comércio (Smic). Para exercer a atividade de motofrete, o veículo deverá ser registrado na categoria aluguel e possuir equipamentos obrigatórios de segurança, além de ter, no máximo, sete anos de fabricação.

“Porto Alegre é a primeira capital do país que regula a atividade do motofrete. Essa medida vai qualificar o serviço e contribuir para um trânsito mais seguro”, ressaltou Fortunati. De acordo com o prefeito, com a regulamentação será possível identificar os profissionais que realizam tele-entrega e, assim, monitorar o serviço prestado e promover ações específicas para a categoria.

Para Valter Ferreira, presidente do Sindimoto, a categoria ganha reconhecimento com a regulamentação do motofrete e realização de cursos de pilotagem. “Saímos do ostracismo para sermos reconhecidos como profissionais, prestadores de serviço. É uma grande conquista na data em que comemoramos o Dia do Motociclista”.

O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, afirmou que o próximo passo será a realização de um curso para motociclista, o que contribuirá para reduzir os acidentes envolvendo motocicletas -  três mil casos já foram registrados desde o início do ano.

O evento também contou com a presença do secretario adjunto da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Omar Ferri Júnior, do presidente do Detran/RS, Alessandro Barcelos, entre outras autoridades.

Requisitos para a concessão de alvará para serviço de motofrete
Pessoa Jurídica – dispor sede no município; alvará de localização e funcionamento; registro na Junta Comercial do Estado do RS; cópia autenticada do contrato de pessoa jurídica; certificado geral junto ao Ministério da Fazenda (CNPJ); comprovante de endereço emitido há, no máximo, sessenta dias; certidões negativas de débitos municipais, estaduais e federais; certidões de regularidade do INSS e FGTS; relação dos veículos que serão utilizados na prestação do serviço, com devido CRLV para comprovação da propriedade e ano de fabricação, e contrato de comodato, aluguel ou arrendamento, se for o caso; cadastro dos condutores que realizarão o serviço junto à respectiva pessoa jurídica; comprovante de contribuição sindical.

Pessoa Física – cadastro do condutor; certidões negativas de débitos municipais, estaduais e federais; certidão de regularidade do INSS; cópia do CRLV do veículo, que será utilizado na prestação do serviço, para comprovação da propriedade e ano de fabricação, e contrato de comodato, aluguel ou arrendamento, se for o caso; comprovante de contribuição sindical.

Fonte: EPTC

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DROGAS NO TRANSITO

Aproveitando o assunto que está tomando conta de todo o noticiário, gostaria de postar uma pesquisa publicada pela Revista de psiquiatria clinica, onde os autores descrevem o efeito de cada substancia que, compromete a dirigibilidade do usuário. 
Neste estudo, criticam com total propriedade, a atual legislação de trânsito que no artigo 165 fala em: “dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica”. 
Já no artigo 306 do CTB, que trata dos crimes de trânsito, descreve: “conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem”
Se observarmos, tanto o 165, quanto o 306, mencionam de maneira vaga o assunto, sem detalhar:
* Quais substancias, já que as chamadas drogas legais, como os medicamentos, também podem causar dependência física ou psíquica?
* Determinando isto, qual a quantidade permitida, se houver?
* De que forma o agente de trânsito realizará testes no condutor? 
Está na hora de começarmos a olhar de frente este problema. Se fala muito do álcool e direção, mas é bem provável que as drogas estão em uma proporção igual ou superior a substancia etílica.
Mais embaixo, vídeo produzido com muito bom humor na Alemanha.


Até a próxima!



Drogas ilícitas e trânsito: problema pouco discutido no Brasil
Illegal drugs and the traffic: a problem rarely discussed in Brazil
Julio de Carvalho Ponce1, Vilma Leyton2
1 Bacharel em Ciências Moleculares e pós-graduando do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
2 Professora doutora do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Recebido: 26/09/2007 – Aceito: 20/02/2008
Endereço para correspondência: Julio de Carvalho Ponce.
Rua Teodoro Sampaio, 115 – 05405-000 – São Paulo, SP. E-mail: juliocp@gmail.com
Resumo
Contexto: Dirigir é uma tarefa complexa na qual o condutor recebe informação continuamente, analisa-a e reage a respeito desta. Substâncias que influem nas funções cerebrais ou em processos mentais envolvidos na condução certamente irão afetar o desempenho do condutor. Alterações motoras provocadas por drogas ilícitas têm recebido crescente atenção em anos recentes como uma possível ameaça à segurança no trânsito. Pesquisas têm indicado a presença de drogas psicoativas em motoristas mortos ou feridos em acidentes de trânsito, e estudos experimentais mostram prejuízo na performance de indivíduos sob efeito de drogas. Objetivos: Em razão de esse problema ser pouco discutido em nosso país, embora seja preocupante, este trabalho visa fornecer dados sobre o problema do uso de drogas por motoristas, a legislação brasileira vigente sobre drogas e direção veicular e quais são as medidas que podem ser adotadas para que os acidentes de trânsito relacionados ao uso de drogas sejam reduzidos.Métodos: Revisão bibliográfica de trabalhos publicados nos últimos quinze anos. Resultados: Os trabalhos mais relevantes apontaram claros indícios de prejuízo na capacidade de dirigir sob efeito de drogas psicotrópicas. Conclusões: Todas as drogas psicotrópicas causam prejuízos nas funções psicomotoras e riscos aumentados de envolvimento em acidentes de trânsito, sendo necessária uma legislação específica que aborde esse tema.
Ponce, J.C.; Leyton, V. / Rev. Psiq. Clín 35, supl 1; 65-69, 2008
Palavras-chave: Trânsito, drogas, direção.
Abstract
Background: Driving is a complex task in which the driver receives, analyzes and reacts to information continuously. Substances that influence brain functions and/or mental processes involved in driving will certainly affect the driver’s performance. Psychomotor alterations caused by illegal drugs have received growing attention in recent years as a possible threat to roadway safety. Research has shown the presence of psychoactive drugs in drivers who were killed or injured in driving accidents, and experimental studies have shown impairment in the performance of individuals under the influence of drugs. Objectives: This study aims to present data on the problem of drug abuse by drivers, the current Brazilian legislation on driving and drug abuse, and what possible measures might be adopted in order to reduce drug-related driving accidents. Methods: The method applied was a literature review of the last fifteen years of publications. Results: The most relevant publications indicate clear evidence of impairment in driving skills under the influence of psychotropic drugs. Conclusions: All psychotropic drugs cause impairment in psychomotor functions and as such, a higher risk of involvement in driving accidents, which makes specific legislation dealing with this issue necessary.
Ponce, J.C.; Leyton, V. / Rev. Psiq. Clín 35, supl 1; 65-69, 2008
Key-words: Traffic, drugs, driving.
Introdução
Dirigir é uma tarefa complexa na qual o condutor recebe informação continuamente, analisa-a e reage a respeito desta. Substâncias que têm uma influência em funções cerebrais ou em processos mentais envolvidos na condução certamente irão afetar seu desempenho. Vários países têm se preocupado com esse assunto e possuem leis severas para punir motoristas que dirigem sob o efeito de drogas. Tentativas de controlar o uso de drogas no trânsito, no entanto, estão sujeitas a lacunas no conhecimento sobre drogas e uma gama de dificuldades práticas e, muitas vezes, influenciadas por interesses políticos. Ações conjuntas de educação e fiscalização ostensiva são fundamentais para se obter melhoria na segurança de trânsito. Os efeitos das drogas no desempenho dos motoristas já são bem conhecidos e vários são os estudos que podem ser encontrados na literatura sobre a prevalência do uso de drogas por motoristas que foram mortos ou feridos em ocorrências de trânsito (World Health Organization, 2004). Estudos experimentais que indicam o prejuízo no desempenho de motoristas sob efeito de drogas têm sido desenvolvidos por alguns pesquisadores. O aumento da prevalência de drogas, além do álcool, tem sido relatado por diversos autores (Seymour e Oliver, 1999; Schwilke et al., 2006; Drummer et al., 2004). Estudos e discussões dos riscos de dirigir sob efeito de drogas têm sido alvo de recentes estudos de revisão (Kelly et al., 2004). O problema da condução veicular sob o efeito de drogas lícitas e ilícitas tem despertado muito interesse na comunidade científica, com inúmeros trabalhos publicados. Sabe-se que drogas lícitas (como o álcool), medicinais (como os tranqüilizantes e antidepressivos) e ilícitas (como cocaína, maconha e mais recentemente o ecstasy) têm expressiva participação na ocorrência de acidentes, não raro com vítimas fatais (Drummer et al., 2003).
No Brasil, a mortalidade por causas externas consti­tui-se na segunda causa de mortalidade geral e na primeira causa de morte entre pessoas de 1 a 39 anos, atingindo surpreendentes 71,3% das mortes para as pessoas entre 20 e 29 anos. Os acidentes de trânsito são a nona causa principal de morte no Brasil, sendo a segunda entre as causas externas (homicídios em primeiro lugar). É também a primeira causa geral dos 5 aos 14 anos e a segunda dos 15 aos 29 anos. Somente em 2004, os acidentes de trânsito foram responsáveis pela perda de 35.674 vidas (Ministério da Saúde, 2007). Já é de consenso que o uso de álcool está relacionado com os acidentes de trânsito e que esse fato é discutido extensamente e divulgado com freqüência pela mídia nacional. Entretanto, a participação das drogas nos acidentes é pouco conhecida e divulgada no Brasil. Há, portanto, necessidade urgente de que pesquisas sobre a prevalência dessas substâncias no trânsito brasileiro sejam realizadas, para que seja conhecido o problema e medidas tanto educativas quanto repressivas sejam tomadas.
Objetivo
Fornecer informações sobre as drogas ilícitas (cocaína, maconha, derivados anfetamínicos) e a implicação do seu uso por motoristas de veículos automotores.
Discussão
Efeitos das drogas na direção
Cannabis
A cannabis, entre nós conhecida por maconha, é a droga ilícita mais comumente utilizada por motoristas em todo o mundo. Essa droga influencia percepções, a performance psicomotora e cognitiva e as funções afetivas. Dessa forma, são afetados, no motorista, a coordenação, a vigilância e o estado de alerta e, conseqüentemente, a capacidade de dirigir. Os efeitos debilitantes se concentram nas primeiras duas horas, mas podem durar por mais de cinco horas. Testes experimentais feitos com concentrações de até 300 mcg tetra-hidrocanabinol/kg promovem efeitos semelhantes à dose de mais de 0,5 g/L de etanol (Ramaekers et al., 2004). Motoristas parecem compensar seus comportamentos na direção, mas problemas podem surgir em situações de emergência (Transportation Research Board, 2006).
Fergusson e Horwood (2001) relatam que há um risco 1,6 vez maior de provocar acidentes para aqueles que consomem maconha mais de 50 vezes ao ano. O’Kane et al. (2002) relatam que estudos recentes indicam um risco 6,4 vezes maior para condutores que fizeram uso de cannabis.
Drummer et al. (2004) determinaram que condutores que apresentavam resultados positivos para drogas psicotrópicas eram significantemente mais prováveis de serem culpados por colisões do que aqueles que não tinham utilizado drogas (OR = 1,7). Condutores que apresentaram ?9- tetra-hidrocanabinol (THC) no seu sangue tinham chance 2,7 vezes maior de ser responsáveis por um acidente que indivíduos que não consumiram a droga; chance que sobe para 6,6 vezes quando a dose é alta (maior ou igual a 5 ng/mL de sangue).
Como os produtos de biotransformação da cannabis podem aparecer na urina até vários dias após cessar o uso, não é possível dizer se o motorista está sob efeito da droga. Entretanto, se a pesquisa for feita no sangue ou saliva, pode-se dizer se o uso foi recente (Transportation Research Board, 2006).
A cannabis quando utilizada em combinação com o álcool, mesmo em níveis relativamente baixos, resulta em um risco de colisão maior do que para cada uma das substâncias separadamente (Drummer et al., 2004).
Estimulantes
A cocaína pode ocasionar uma pequena melhora na performance do motorista durante a fase de euforia, segundo estudos laboratoriais. No entanto, o indivíduo sob efeito de cocaína está mais propenso a assumir comportamentos de risco, o que pode levar a um envolvimento maior em acidentes de trânsito. O prejuízo no desempenho observado pode ser em razão da perda de concentração e atenção, e maior sensibilidade à luz, em virtude das pupilas dilatadas. Além disso, sintomas psicológicos, tais como paranóia e alucinações, podem influenciar no comportamento na direção (Transportation Research Board, 2006).
Existem estudos que mostram que o uso de derivados anfetamínicos (como o ecstasy) podem aumentar perigosamente a autoconfiança do condutor, com aumento no envolvimento em situações de risco. O usuário se torna agressivo no início e apático quando os efeitos agudos passam (Transportation Research Board, 2006). Como com a cocaína, a dilatação das pupilas pode causar sensibilidade à luz. Estudos de caso mostram que as anfetaminas têm um efeito negativo nas capacidades de dirigir. Porém, como em muitos casos de psicoestimulação, não são os efeitos agudos da droga, mas o efeito após a estimulação, de fadiga, que causam maior debilidade na condução (Transportation Research Board, 2006).
Drummer et al. (2004) encontraram que estimulantes em motoristas de caminhão também se mostraram positivamente associados à culpabilidade (OR = 8,3).
Opiáceos
Os opiáceos (principalmente heroína) induzem a sedação, indiferença a estímulos externos e aumento do tempo de reação. A ocorrência de miose (constrição das pupilas) tem um efeito negativo na acomodação a estímulos luminosos, especialmente à noite. Diminuição na performance na direção veicular é notada, mesmo durante a síndrome de abstinência, que é associada com perda de concentração (Transportation Research Board, 2006).
Alucinógenos
Os alucinógenos (GHB, LSD etc.) debilitam a performance psicomotora por produzirem alucinações, sonolências e reações psicóticas, incompatíveis com a direção segura (Transportation Research Board, 2006).
Prevalência do uso de drogas e direção
Apesar de o álcool ser a substância psicoativa mais encontrada em vítimas fatais de acidentes de trânsito, outras drogas, lícitas ou ilícitas como a maconha, derivados anfetamínicos, opiáceos e benzodiazepínicos, também têm sido freqüentemente detectadas (Holmgren et al., 2005).
São vários os estudos que demonstram a relação do uso de álcool associado ou não a drogas lícitas (medicamentos) ou ilícitas. A tabela 1 resume estudos epidemiológicos de substâncias psicoativas em vítimas fatais.
Os estudos mostrados na tabela 1 mostram que o consumo de drogas, associado ou não ao álcool, pode estar relacionado com 40% a 70% das fatalidades no trânsito. Um estudo de revisão na União Européia determinou que de 1% a 3% dos motoristas dirigem sob efeito do álcool, mas que a proporção de intoxicados nos acidentes com vítimas fatais é muito maior (European Transport Safety Council, 1995).
Um dos poucos estudos feitos no Brasil com motoristas de caminhão encontrou uma prevalência de 7,0% de uso de drogas por análise de urina (indicando uso recente, mas não necessariamente sob efeito) e 3,0% nas análises de sangue, indicativo de estar sob efeito de drogas. A substância mais comumente encontrada foi etanol, seguida de anfetaminas, muito utilizadas para se manter a vigília (Yonamine, 2004).
Fiscalização e legislação
As legislações acerca de álcool e drogas variam muito entre países. Alguns deles requerem que a acusação (geralmente o Estado) prove que o condutor estava com alterações psicomotoras, ou seja, deve-se provar que a concentração da droga encontrada era suficiente para causar prejuízos na condução. Por essa ser uma tarefa um tanto complicada, alguns estados adotaram as leis per se, ou seja, qualquer concentração encontrada, acima do limite permitido (que geralmente é expresso apenas para o álcool; para drogas, o limite é o de detecção do método utilizado para análise), é pressuposta como sendo causadora de redução na capacidade de dirigir (APIS, 2007).
Para drogas, temos legislações que pedem a confirmação da debilitação, como a britânica e as de alguns estados americanos (Reino Unido, 1988; APIS, 2007).
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), instituído pela Lei 9.503, de 23 de setembro de 1997 e alterado pela Lei 11.725/06, no seu artigo 165, estabelece que o motorista que “dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica” comete uma infração gravíssima, tem multa e suspensão do direito de dirigir como penalidade. Seu veículo é retido até a apresentação de condutor habilitado e seu documento é recolhido. Além disso, é considerado crime de trânsito o motorista que “conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem”, conforme dita o artigo 306 do CTB. Nesse caso, o condutor pode ter detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor (BRASIL, 1997; BRASIL, 2006).
Entretanto, para o cumprimento da lei, é necessário que a ela seja regulamentada, de forma a serem definidos claramente quais os grupos de drogas que são proibidos no trânsito brasileiro, pois, nos artigos citados nos parágrafos anteriores, são mencionadas “qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica” e “substância entorpecente, tóxica ou de efeitos análogos”, respectivamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Departamento de Transportes estabelece que seja verificado o uso dos seguintes grupos de substâncias: metabólitos da maconha, cocaína e opiáceos, anfetaminas e fenciclidina para condutores profissionais. Sugerimos que, além do álcool, seja proibido o uso dos seguintes grupos de substâncias psicoa­tivas: cocaína, cannabis e anfetamínicos, substâncias essas mais comumente utilizadas em nosso meio (United States Department of Transportation, 2007).
Discussão e conclusões
Há um considerável número de evidências de que várias drogas ilícitas podem causar prejuízos psicomotores e influenciar o ato de dirigir veículo automotor. No Brasil, há necessidade de mais estudos, usando metodologias consistentes e cuidadosas, para determinar o potencial de prejuízo de diferentes drogas, bem como analisar constantemente a prevalência destas em motoristas envolvidos em acidentes, para podermos, assim, instituir medidas eficazes para reduzir o problema.
Conclusão
A alta prevalência e a gravidade da associação entre TEPT e ADAD revelam a importância da identificação do problema e do encaminhamento adequado para tratamento. A identificação precoce da comorbidade entre o transtorno e o ADAD é fundamental para o bom prognóstico do paciente, bem como o atendimento adequado às vítimas de situações traumáticas, para que sejam minimizadas as chances da ocorrência do TEPT, bem como a associação do quadro com o ADAD.
Referências
APIS - Alcohol Policy Information System. Blood Alcohol Concentration Limits: Adult Operators of Non-Commercial Motor-Vehicles. APIS, 2007. Disponível em: http://alcoholpolicy.niaaa.nih.gov/
Athanaselis, S.; Dona, A.; Papadodima, S.; Papoutsis, G.; Maravelias, C.; Koutselinis, A. - The use of alcohol and other psychoactive substances by victims of traffic accidents in Greece. For Sci Int 102(2-3): 103-109, 1999.
BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro, Lei n. 9.503, de 23 de setembro de 1997.
BRASIL. Lei n. 11.725, de 7 de fevereiro de 2006.
Bravo, P.A.; Bravo, S.M.; Porras, B.; Valderrama, J.; Erazo, A.; Bravo, L.E. - P revalencia de sustancias psicoactivas asociadas con muertes violentas en Cali. Colomb Med 36: 146-152, 2005.
del Rio, M.C.; Alvarez, F.J. - Presence of illegal drugs in drivers involved in fatal road traffic accidents in Spain. Drug and Alcohol Dependence 57(3): 177-182, 2000.
Drummer, O.H.; Gerostamoulos, J.; Batziris, H.; Chu, M.; Caplehorn, J.R.M.; Robertson, M.D., et al. - The incidence of drugs in drivers killed in Australian road traffic crashes. For Sci Int 134(2-3): 154-162, 2003.
Drummer, O.H.; Gerostamoulos, J.; Batziris, H.; Chu, M.; Caplehorn, J.; Robertson, M.D., et al. - The involvement of drugs in drivers of motor vehicles killed in Australian road traffic crashes. Accident Analysis and Prevention 36: 239-248, 2004.
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Fergusson, D.M. & Horwood, L.J. - Cannabis use and traffic accidents in a birth cohort of young adults. Accident Analysis and Prevention 33: 703-711, 2001.
Holmgren, P.; Holmgren, A.; Ahlner, J. - Alcohol and drugs in drivers fatally injured in traffic accidents in Sweden during the years 2000-2002. For Sci Int 151(1): 11-17, 2005.
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Fonte: Revista de Psiquiatria Clínica

terça-feira, 19 de julho de 2011

Autuações por excesso de velocidade cresceram 75%

Abaixo, o Clicrbs reproduz os números da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que dão conta da redução das mortes nas estradas, em consequente aumento de autuações no nosso estado.

Esta é uma conta fácil de fazer: Aumento de fiscalização, é igual a aumento de infrações e, redução de mortes! 

Lembro que em sala de aula, muitos alunos chegavam com uma idéia pré concebida, que o aumento de fiscalização seria uma forma de arrecadar mais.
Tinha que concordar com eles: arrecadamos mais vidas, mais sobreviventes deste absurdo morticínio, que teimamos em chamar de trânsito, e explico pelo conceito:
Trânsito é a utilização das vias por veículos motorizados, veículos não motorizados,pedestres e animais, para fins de circulação, parada ou estacionamento.
Como percebemos, nada consta sobre, ser a segunda principal causa de morte do país.
Vamos rever nossos conceitos. Quem comete uma infração tem que ser punido sim! Se cometeu um crime, vai responder como qualquer réu, de outro delito diferente.
A diferença entre alguém que atropela por imprudência e, quem atira em outra pessoa, é apenas a arma.

Até a próxima!


Autuações por excesso de velocidade cresceram 75% nas rodovias do RS em relação a 2010

Segundo a PRF, mortes no trânsito em rodovias federais diminuíram 5,78% em comparação ao ano passado

Somente no primeiro semestre deste ano, mais de 96 mil motoristas foram autuados por excesso de velocidade nas estradas federais gaúchas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), são 75,1% de condutores a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

As multas referentes à embriaguez ao volante também aumentaram de forma significativa — um crescimento de 23,7% em comparação a 2010.

De acordo com o inspetor Alfonso Willembring Júnior, chefe de policiamento e fiscalização da PRF no Estado, o crescimento no número de multas é fruto de um reforço nas operações especiais em todo o Rio Grande do Sul.

— O modelo de criar operações especiais focados em algumas cidades foi aprovado e será mantido para o segundo semestre — afirmou Willembring, acrescentando que, para o início do próximo ano, é prevista a chegada de 100 novos policiais rodoviários para o Estado.

Conforme dados da PRF, houve um aumento de 43,3% no total de autuações gerais de trânsito e de 5% na fiscalização de veículos. O número de prisões por crimes de trânsito cresceu 12,51%.

Apesar de o número de acidentes ter aumentado 5,97% em relação a 2010, as mortes no trânsito em rodovias federais diminuíram 5,78% em relação a 2010. Até hoje, foram 228 óbitos registrados no Estado. 

Fonte: Clicrbs