quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

RS contabiliza menos acidentes e vítimas fatais em 2015


Acidentes e vítimas fatais
Acidentes e vítimas fatais
O Estado chega ao final do ano de 2015 com menos mortes nas ruas e estradas. Os dados parciais, até novembro, foram disponibilizados nesta quarta-feira (30), no site do Detran/RS. O destaque é a redução de acidentes com vítima fatal em 17,4 % e dos óbitos em 15,2 % (veja gráfico). Antes do final de novembro, 1.379 acidentes haviam resultado em 1.565 óbitos. Em 2014, o mesmo período registrou 1.669 acidentes com morte e 1.845 óbitos.  Até 29 de dezembro, levantamento aponta para 1.697 vítimas fatais, resultantes de 1.504 acidentes em que ocorreu pelo menos um óbito. 
O Detran/RS segue a orientação da Organização Mundial da Saúde, ligada à ONU, pela qual os dados de acidentalidade que resultarem em mortes devem ser contabilizados mediante o acompanhamento dos feridos que vieram a óbito nos hospitais até 30 dias decorridos do acidente.Por essa razão, o balanço final com os dados completos do ano de 2015 serão confirmados somente no mês de fevereiro de 2016.
Fonte: Detran/RS

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CCJ aprova porte de arma para agentes da autoridade de trânsito


   
O Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003) poderá ser modificado para permitir o porte de arma de fogo — em serviço — por agentes da autoridade de trânsito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios que não sejam policiais. Essa permissão é o objetivo de projeto de lei da Câmara (PLC 152/2015) aprovado nesta quarta-feira (16) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
A proposta estabelece algumas exigências para a concessão de porte de arma de fogo aos agentes de trânsito. Uma delas é a comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica para o uso da arma. Outra é condicionar a autorização para o porte não só ao interesse do ente federativo ao qual o agente está vinculado, mas também à exigência de sua formação prévia em centros de treinamento policial.
“No mérito, também entendemos que existe uma premente necessidade de os agentes de trânsito serem autorizados a portar arma de fogo, quando em serviço. É inegável que a fiscalização do trânsito envolve riscos consideráveis, pois os agentes são encarregados de fiscalizar vias públicas e não raro se deparam com condutores embriagados, exaltados e violentos. Além disso, ao realizar abordagens regulares, os agentes podem ser surpreendidos pelo cometimento de crimes em flagrante delito, como o porte de entorpecentes e de armas de fogo", considerou o relator, senador José Medeiros (PPS-MT).
Ainda em reforço a seu argumento, o relator lembrou que a Emenda Constitucional (EC) 82, promulgada em 2014, inseriu a segurança viária no capítulo da segurança pública. Isso traduziria o reconhecimento, na sua avaliação, de que os agentes de trânsito promovem a preservação da ordem pública e asseguram a integridade das pessoas e de seu patrimônio em vias públicas.
“Nesse contexto, o porte de arma de fogo se revela um instrumento do trabalho, não um privilégio ou condição especial”, finalizou Medeiros.
O PLC 152/2015 será votado pelo Plenário do Senado. Se o texto da Câmara se mantiver inalterado, será enviado, em seguida, à sanção da Presidência da República.
Fonte: Agência Senado

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Detrans entram na justiça contra exame toxicológico

A exemplo de São Paulo, que conseguiu na Justiça autorização para não aplicar o exame toxicológico, o Detran gaúcho também busca o Judiciário contra o que considera uma medida ineficaz, ilegal e discriminatória. O exame toxicológico para motoristas profissionais está previsto na Lei Federal nº 13.103 (Lei do Motorista) e entraria em vigor em 1º de janeiro de 2016.
O Estado de São Paulo ingressou com ação contra a medida e conseguiu autorização prévia (tutela antecipada) para não condicionar a concessão da CNH ao exame. O processo continua em curso na Justiça Federal - 9ª Vara Cível da Capital de São Paulo. No Rio Grande do Sul, o Detran/RS fez o mesmo encaminhamento e a PGE deverá entrar com pedido de liminar nos próximos dias.  
Quando aprovada, a normativa federal gerou fortes reações de entidades médicas, comunidade científica e órgãos de trânsito de todo o país, mas não houve eco no Congresso. Os deputados e senadores mantiveram a exigência do exame específico, que não é realizado por nenhum laboratório brasileiro. Especialistas consideram que o chamado exame de alta janela de detecção – realizado a partir do fio de cabelo, pelo ou unhas e que detecta o uso de drogas em um período até 90 dias – tem alto custo (cerca de 100 dólares) e não é eficaz para detectar o efeito de droga no momento da condução do veículo. Também não apresenta evidências científicas que comprovem sua eficácia para a segurança no trânsito e não encontra paralelo no mundo.  Nenhum dos 185 países signatários da Década de Ação para Segurança Viária, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), realiza o exame. 
O diretor do Detran paulista, Daniel Annenberg, alerta que “o exame tem algumas brechas e tornará o processo de habilitação mais demorado, uma vez que a coleta será encaminhada para o exterior e posteriormente ainda deverá ser avaliada por um médico. O teste também não tem como aferir se o motorista utilizou a droga enquanto dirigia ou se fez uso em um momento particular, fora da condução de veículos. Impedir que um motorista profissional que depende da habilitação para trabalhar renove o documento pela interpretação de um exame falso positivo poderá resultar em demandas judiciais, tanto para o Estado quanto para os médicos”.  
O diretor do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski, considera o exame toxicológico exigido pela Lei do Motorista uma medida claramente discriminatória e inconstitucional. Primeiro, por lançar suspeita sobre uma classe profissional já marcada pelo preconceito. Segundo, por ferir o princípio da igualdade, da inviolabilidade da intimidade e o fundamento da dignidade da pessoa humana. Terceiro, por desconsiderar o médico - o único responsável que poderá/deverá - solicitar exames complementares para o examinando. “Já há hoje mecanismos para realizar esse controle durante o exame com o médico perito do Detran que, suspeitando de uso de drogas, pode solicitar exames complementares”.
Alternativa
Uma alternativa também se apresenta no horizonte, com o desenvolvimento de estudos com o chamado drogômetro, realizados pelo Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas (CPAD) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com o apoio da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas e a parceria do Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da UFRGS. Os testes com os diferentes equipamentos serão realizados no Rio Grande do Sul com o apoio dos órgãos de fiscalização de trânsito, especialmente nas blitze da Balada Segura.
O drogômetro, usado com sucesso na Austrália, Estados Unidos e muitos outros países, traz a comprovação técnica e a realidade para o processo de fiscalização com a testagem aleatória, além de ser mais eficaz para a segurança no trânsito, retirando de circulação os motoristas sob o efeito de drogas. “O exame comprobatório realizado no campo de prova (via pública), no calor da ocorrência, resgata a isonomia na efetividade da fiscalização, incidindo sobre todos os motoristas, não somente aos profissionais do volante”, conclui Szinvelski.
Fonte: Detran/RS

sábado, 19 de dezembro de 2015

Ônibus é solução para "nó" da mobilidade urbana


BRT tem se mostrado viável na melhoria do transporte público
Ônibus é solução para nó da mobilidade  | Foto: Scania / Divulgação / CP
Ônibus é solução para nó da mobilidade | Foto: Scania / Divulgação / CP

Quem se desloca pelas grandes cidades praticamente está acostumado a enfrentar congestionamentos. O "nó" da mobilidade urbana é evidente. O volume de veículos nas ruas é incompatível com as vias disponíveis. Ao mesmo tempo, as intervenções realizadas na infraestrutura para escoar esse fluxo ocorrem numa velocidade quase similar ao trânsito: lenta. Neste panorama, alguns especialistas acreditam que a solução para desatar o nó é a promoção do transporte coletivo, em outras palavras, os ônibus. Porém, depois de uma década de estímulos à aquisição dos carros próprios e o status atribuído, como fazer para que o motorista se torne passageiro? 

Segundo o coordenador do Programa de Engenharia em Transporte (PET) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Márcio D’Agosto, parte da solução é oferecer um transporte público de qualidade, mas principalmente, oferecer rapidez. Mesmo assim, o professor reconhece ser um desafio a longo prazo. Há uma questão comportamental forte, uma vez que ter o seu carro é demonstração de status. Ao mesmo tempo, para atrair o passageiro o ônibus precisa oferecer vantagens. Uma delas é economia de tempo. “Se a viagem de ônibus for mais rápida, que é a proposta do BRT (Bus Rapid Transit), é possível atrair o passageiro”, considera o coordenador. 

Apesar do ritmo lento das obras em algumas cidades, o BRT é um projeto que tem se mostrado viável na melhoria do transporte público. Os ônibus têm capacidade de passageiros maior e, por utilizarem faixas exclusivas, andam bem mais rápido. “O raciocínio é simples. Uma pessoa dentro de um carro ocupa mais espaço e gera maior impacto ao meio ambiente do que dezenas compartilhando um ônibus”, explica. E o debate se mostra cada vez mais urgente. Recente pesquisa da Associação Nacional de Transporte Público apontou que 19,7% da população usa carro ou moto para se deslocar, enquanto que 18,7% usam ônibus. “Estamos seguindo para uma situação insustentável”, ressalta, citando como consequência problemas de poluição, saúde, acidentes e estresse.

Segundo a Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano (NTU), no Brasil há 33 cidades investindo em projetos de BRT, totalizando 94 iniciativas. Ao todo, serão 1.150 quilômetros de linhas deste modelo. Em Porto Alegre, os projetos ainda estão longe da efetivação. Inicialmente foram incluídos na matriz da Copa do Mundo de 2014. Porém, o prazo não foi cumprido e o projeto segue numa velocidade menor que a esperada. Na cidade, das três linhas, duas estão com a conclusão prevista para dezembro deste ano (Protásio Alves e Bento Gonçalves) e a da João Pessoa tem previsão de término só em junho de 2016. As obras envolvem o piso, que teve o asfalto retirado para a colocação das placas de concreto. Depois disso, ainda é necessário fazer as estações específicas.

O sistema BRT provocará mudança na organização das linhas. Os trajetos serão remanejados, reduzindo o número de ônibus que vêm até o Centro. Os passageiros vão embarcar em uma das três linhas e, ao descer nos terminais, poderão pegar os ônibus que circulam dentro dos bairros.

Dois modelos para a Capital
Diante da conclusão do processo de licitação do transporte púbico, a Scania projeta para 2016 firmar contratos para comercialização de chassi de ônibus para as vencedoras do processo. As negociações já estão avançadas, afirmou o diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil, Silvio Munhoz. “Os detalhes em torno do edital e a conclusão efetiva do processo seguraram um pouco as negociações”, afirmou Munhoz. O resultado da licitação foi homologado e as empresas deverão começar a operar no novo modelo em abril de 2016.

“As operadoras estão fazendo as adaptações e em breve vão ter que adquirir novos veículos e estamos neste processo juntos. As negociações estão avançadas em alguns casos e esperamos vendas para o ano que vem”, explicou Jeferson Crispim Peres, da unidade de vendas no Brasil. Dois modelos de chassis são destaques para a Capital. O ônibus com 15 metros de comprimento é considerado um dos principais. Ele tem capacidade para transportar 130 passageiros. Outro modelo considerado interessante para o perfil do transporte público é o articulado com 18 metros, tendo capacidade para 160 passageiros. 

Capacidade: 200 pessoas
Dentro do debate sobre os desafios da mobilidade urbana, a Scania apresentou em outubro o ônibus biarticulado F 360 HA. Destinado aos corredores do modelo BRT pelas suas características, o veículo tem 28 metros de comprimento e capacidade para transportar 270 pessoas.

O modelo tem condições de contribuir para qualificar o transporte de passageiros e melhorar a mobilidade urbana nos grandes centros. “Esse tipo de veículo vai circular apenas nas cidades com alto fluxo de passageiros superior a 800 mil por dia”, disse o diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil, Silvio Munhoz.

O impacto no fluxo de trânsito com o ônibus é grande, uma vez que lotado, é capaz de retirar 135 carros com duas pessoas, que é considerado o padrão de ocupação. Outro diferencial é que pelo tamanho maior das portas o desembarque e embarque são mais rápidos, garantindo agilidade.

Além do chassi, a empresa passa a disponibilizar uma solução completa conforme o perfil da operação. Na prática, oferecerá aos clientes a carroceria dos ônibus, serviços de manutenção dos veículos, consultoria dos modelos mais aconselháveis pelo sistema operante naquela cidade e financiamento para aquisição. 

Emissões e impacto ambiental 
Um aspecto essencial no debate sobre a mobilidade urbana é o impacto ambiental dos veículos. Enquanto que um carro emite um volume alto de gases, com utilização de gasolina, os ônibus também, uma vez que a maioria é movida a diesel. O avanço das pesquisas têm aberto uma série de alternativas de combustíveis sustentáveis. Um deles é o etanol, que oferece 90% menos emissões do que o diesel, segundo estudo da Scania. 

Um modelo diferenciado que entra no mercado nacional é o biometano/GNV (gás natural veicular). Neste ano, a Scania realizou testes com o primeiro ônibus movido com este combustível no país. Os testes realizados pela Netz Engenharia Automotiva mostraram que o custo por quilômetro do GNV foi 28% menor ao comparado com o veículo movido a diesel. Esse tipo de combustível já é utilizado na Europa e tem resultados reconhecidos. No caso do biometano, as emissões são 85% menores, e com GNV, chega a 70%. 

Ao longo de um ano foram realizadas oito demonstrações de veículos abastecidos com o biometano e o GNV. Na prática, esse tipo de combustível tem a base orgânica, que pode ser gerado por meio de dejetos. No caso do ônibus biometano/GNV, há a combinação desses dois combustíveis ou o uso de apenas um deles. A solução apresentada pela Scania surge em um momento importante, uma vez que houve a regulamentação do biometano neste ano.
Fonte: Correio do Povo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

EPTC lança canal que permite identificação e avaliação de taxistas na Capital


Com o prefixo do táxi, usuários têm acesso aos nomes e fotos do permissionário e condutores do veículo

EPTC lança canal que permite identificação e avaliação de taxistas na Capital Reprodução/EPTC
Canal está disponível desde a manhã desta quinta-feira no site da EPTCFoto: Reprodução / EPTC
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) lançou, na manhã desta quinta-feira, um novo canal para identificação e avaliação dos taxistas em Porto Alegre. O serviço está disponível em www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/.
Com o prefixo do táxi, os usuários agora têm acesso aos nomes e às fotos do permissionário e dos condutores credenciados para o veículo, e podem deixar um elogio ou reclamação aos profissionais. Para realizar a avaliação, é exigido que o usuário se identifique com nome, endereço, telefone para contato e e-mail. Segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, os dados pessoais fornecidos para o site serão mantidos em sigilo e eventuais denúncias serão investigadas.
— Havendo denúncia ou reclamação da prestação de serviço, isso será avaliado e averiguado. O permissionário e o taxista que estava prestando o serviço serão convocados. Vamos até o fim para comprovar o que o cidadão denunciou. A partir da comprovação, uma série de medidas serão tomadas, como descadastramento do taxista ou processo de cassação de permissão — afirmou Cappellari.
Ainda conforme Cappellari, a EPTC deve desenvolver um aplicativo para celular com serviço semelhante.
Botão de pânico
O contrato junto à Secretaria de Segurança Pública para operacionalização do botão de pânico será assinado nesta sexta-feira. O sistema passa a ser integrado e os órgãos de segurança terão acesso imediato a localização de taxistas em casos de emergência.
Fonte: Clicrbs

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

EPTC garante que 100% dos pardais voltaram a multar em Porto Alegre


Controladores de velocidade tinham sido desligados ainda em setembro
Dois equipamentos novos se somaram aos 48 que foram substituídos, com a troca de prestadora | Foto: Divulgação / PMPA / CP
Dois equipamentos novos se somaram aos 48 que foram substituídos, com a troca de prestadora | Foto: Divulgação / PMPA / CP

A substituição de pardais em Porto Alegre foi concluída, com a testagem dos últimos equipamentos, nesta terça-feira. A troca dos 48 radares e a instalação de mais dois foi finalizada ainda na sexta, mas alguns equipamentos ainda dependiam da análise do Inmetro para começar a multar.

Os controladores de velocidade tinham sido desligados ainda em setembro. A partir de hoje, 100% dos pardais já podem multar motoristas que excederem a velocidade máxima de 60 km/h. Conforme a EPTC, em todos os trechos existe sinalização indicativa.

A empresa responsável pelos pardais agora é a Perkons, que sucedeu a Kopp. Entre os equipamentos substituídos estão os localizados em frente ao Museu Iberê Camargo, na avenida da Legalidade, a caminho da freeway, e na estrada João de Oliveira Remião, na Lomba do Pinheiro, assim como no cruzamento da Ipiranga com a Silva Só.
Fonte: Correio do Povo

sábado, 12 de dezembro de 2015

Trânsito no mundo mata mais de 500 crianças por dia

No RS, 193 meninos e meninas de até 4 anos morreram entre 2007 e 2015

Trânsito no mundo mata 500 crianças por dia | Foto: Alina Souza

Trânsito no mundo mata 500 crianças por dia | Foto: Alina Souza

Anualmente morrem no trânsito mais de 186 mil crianças no mundo. São mais de 500 óbitos por dia. Os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) trazem um alerta sobre a vulnerabilidade desse grupo no trânsito. As lesões ocasionadas por acidentes estão entre as principais causas de morte de crianças acima de 5 anos.

Os países de baixa e média renda respondem por 95% das ocorrências. A taxa de mortalidade nesses locais é quase três vezes maior do que em países de alta renda. Em 2010, 38% das crianças que morreram em acidentes de trânsito no mundo eram pedestres. As que se deslocavam de carro compõem outros 36%, 14% foram vítimas em motocicletas ou ciclomotores, 6% em bicicletas e 7% em outros meios de transporte.

O levantamento da OMS ainda mostra que, apesar de todas as crianças estarem vulneráveis a acidentes que podem causar lesões ou mortes, os meninos respondem por cerca do dobro dos óbitos das meninas. O risco elevado é atribuído a uma maior exposição desses ao tráfego e a tendência natural de assumir maiores riscos.

Para tentar diminuir a mortalidade, foi instituída, em 2008, a resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece condições mínimas de segurança para o transporte de passageiros com idade inferior a 10 anos. De acordo com a instituição, o sistema de retenção reduz a probabilidade de lesões fatais em cerca de 70% dos bebês e de 54% a 80% das crianças.

O uso da cadeirinha no banco traseiro dos automóveis, por exemplo, começou a ser exigido em 2010 após o prazo para a regularização deste dispositivo ter se esgotado. O equipamento contempla crianças de 1 até 4 anos. A não obediência aos dispositivos legais é considerada infração gravíssima e prevê multa de R$ 191,54, sete pontos na CNH e retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada, segundo o Contran. O Ministério da Saúde também tenta reduzir as mortes em acidentes por meio da conscientização. Entre as ações realizadas estão campanhas educativas e a qualificação do sistema de informação sobre acidentes.

Adultos precisam cuidar mais 

No Rio Grande do Sul, 193 crianças de zero a 4 anos morreram em acidentes de trânsito de 2007 até setembro deste ano. Segundo levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS), nas 22 mortes deste grupo registradas somente este ano, 18 eram passageiros e quatro, pedestres. Em todo o ano passado, segundo o Detran, 23 crianças morreram vítimas de desastres.

Um dos grandes problemas que influenciam ocorrências de acidentes é que as crianças têm a tendência em subestimar os riscos. Conforme Laís Silveira, chefe da Divisão de Educação para o Trânsito do Detran/RS, pequenos trajetos às vezes não são considerados para a utilização de dispositivos de segurança. “O risco é subestimado. Os pais acreditam que colocar os filhos no colo pode ser seguro, mas eles (crianças) ficam muito vulneráveis”, afirma. “Os acidentes acontecem geralmente próximo ao local de destino”, salienta Laís Silveira.

A falta de atenção nas vias também é responsável por grande parte das ocorrências. “A criança de até 4 anos está em crescimento e não consegue distinguir os riscos”, alerta Laís. “É necessário que os adultos tenham cuidado redobrado.”

As crianças com 8 anos, quando iniciam o período escolar, também são alvos recorrentes, segundo Laís. “Elas começam a sair para a rua e a serem independentes, mas só depois dos 10 anos vão atingir uma percepção maior no trânsito”. Laís ressalta a importância do trabalho de educação para o trânsito, que deve ser feito nas escolas.

Fonte: Correio do Povo